
Exploro o lugar e chego ao Ray Lagoon. Piso e sinto que aquela água extremamente gelada pedia wetsuit. Vou até a cabana e pego. Agora sim estou protegido. E que lugar lindo. Dezenas de arraias dançam suavemente, passando por minhas pernas. Quando elas chegam perto, levantam suas "asas" para não baterem. Parece que elas estão estendendo-as para receber um aperto de mão. E é o que eu faço. Consigo tirar muitas fotos. Mergulho para vê-las de baixo e aproveito um bom tempo.
Atravessando o Ray Lagoon, há o Coral Reef. Agora sim um mergulho de verdade. A água também é muito gelada. Dou um mergulho logo para me acostumar. Nisso, já consigo avistar o paraíso submerso ali. Milhares de peixes, corais e mais arraias. Um cenário diferente do que estou acostumado. Além disso, é bastante fundo. Crio coragem e começo a bater pernas. O caminho é lindo. Estou nadando entre muitos peixes. Entre mesmo. Como se eu fosse um deles. Olhos para os lados e vejo cardumes junto a mim. As arraias passam por baixo. Você não está afetando o habitat deles. Você faz parte. Algumas das arraias são gigantes. Bem maiores que uma pessoa. Fico em dúvida se diminuo o ritmo das pernadas para mantê-las longe, ou se aumento a velocidade para admirá-las. No fim, os treinadores avisam que eu chegara na área de alimentação das arraias e que é necessário manter uma distância.

Já são algumas horas da tarde. Como o Laguna Grill tem horário de fechamento, corro para não perder. Escolho uma mesa e deixo tudo lá: câmera, chave do armário e demais pertences. Sei que aqui nada acontecerá. A comida novamente é free. All you can eat, como os americanos costumam dizer, ou Your All-Inclusive Day, como o Discovery trata. Fico espantado com a quantidade de comida bonita. Pego fritas, massa penne com molho quatro queijos, frango e um salmão grelhado. Um salmão mesmo, não aqueles do Súper. Uma cor maravilhosa. Acho que o prato mais bonito que já vi. A comida é espetacular. A melhor que já comi. Não tenho condições de pegar mais, mas sou obrigado a buscar uma sobremesa. Uma incrível torta de chocolate. Farto, fico um bom tempo refletindo.
E o dia segue assim, Espetacular. O sol brilha. De repente, nuvens surgem e a tradicional chuva da Flórida dá as caras. Por pouco tempo, ainda bem. Isso porque tudo tem que dar certo... Repito todos os mergulhos e tiro mais fotos do paraíso. Passo pelo aviário, vejo alguns pássaros diferentes, um pavão, mas não me apetece ficar muito tempo ali. Volto a mergulhar.
Quando o tempo decide começar a se esgotar, vou aos vestiários para me trocar e deixar os materiais. Sou informado que posso levar o snorkel. Bonita lembrança. Na volta, passo pela Dolphin Lagoon e ali fico. Estático admirando o nado dos golfinhos. Agora sozinhos. Fico bons minutos ali, desligado do tempo. Afinal, não sei quanto poderei voltar. Tenho que aproveitar.

Após, sigo para a cabana onde vendem as fotos do passeio. Mais de meia-hora ali, para escolher qual pacote comprar. Decido por levar o pacote que incluía seis fotos grandes, duas normais, um pôster, um CD e dois chaveiros. U$ 150!! But it worths, como Mohammad havia me ensinado.
Saio para esperar meu transporte de volta ao hotel. Fico parado em frente à entrada e uma moça pergunta se poderia ajudar-me. Digo que só aguardo pelo meu shuttle. E ela me surpreende ao dizer que ele estava lá, mas há um bom tempo. Como eu não apareci, foi embora. Pego os tickets e vejo que, realmente, eu havia errado quanto ao horário. A moça se oferece para ligar para a Mears e consegue um novo tranporte, a partir do Sea World. E, para chegar lá, ela me colocou no shuttle que fazia o percurso Discovery Cove - Sea World. Que dia perfeito!
Já no transporte Sea World - Hotel, uma mãe e sua filha puxam papo. Aliás, uma linda filha. Piercing no nariz, cabelo curto e loiro, olhos claros. Acho que são alemãs, mas não pergunto. A mãe pergunta como estava o Sea World e eu digo que, na verdade, estava no Discovery Cove. A filha pergunta se eu havia nadado com os golfinhos e eu mostro minhas fotos.
À noite, vou pela última vez ao Premium. Ligo do celular para meu amigo Mohammad. Faço as últimas compras e consigo uma jaqueta de couro linda por apenas U$ 60! São 11PM, eu e Mohammad havíamos combinado 11:30 em frente à GAP, mas já não tinha mais o que fazer, então fui para lá. Ouço umas pessoas falando em espanhol. Pelo jeito, pergunto se eram argentinos. Eram. Aí a pergunta óbvia: "Boca o River?". Que nada. Eles eram de Rosário. Dois do Central, e um do Newell's. Perguntam o meu, e digo que sou do time de D'Alessandro "mucho mejor que Maradona".
No exato minuto combinado, Mohammad chega. Ela pergunta quem eram e eu digo que eram argentinos. Que brasileiros e argentinos sempre discutem futebol. Aí Mohammad enlouquece. Segundo ele, um ex-jogador marroquino foi melhor que Pelé. Até o próprio teria dito isso... Na, na, na. Na despedida, comunico que seria o último dia da viagem que vê-lo-ia e agradeço por toda sua ajuda. Ele me cobra a metade do preço e, desta vez, eu aceito. Prometo que certamente ligaria para ele quando voltasse a Orlando e ele novamente me dá seu cartão. Falha minha, esqueço de pedir para tirar uma foto com ele. Me despeço aqui, de uma pessoa muito boa. Não tenho dúvidas de que Mohammad torna-se realmente "my friend".
Amanhã vou para a Disney!